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sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Dando as Cartas.





Ao iniciar este post, volto meus pensamentos às palavras do grande divulgador da astronomia Carl Sagan: “Saber muito não lhe torna inteligente. A inteligência se traduz na forma que você recolhe, julga, maneja e, sobretudo, onde e como aplica esta informação”. Acredito que esse homem, que falou que todos nós somos feitos de poeira de estrelas, queria demonstrar que o conhecimento livresco, mais do que comum nesses dias, só prova que temos boa memória... Tenho alguma certeza em imaginar que ler uma carta celeste é o mínimo para alcançar o objetivo dessa fantástica atividade. Destarte pretendo hoje demonstrar como podemos filtrar algumas informações úteis para a observação através de um sistema computacional.

Eu já falei sobre alguns softwares antes, porém nunca tive a oportunidade de lhes demonstrar como usá-los. Minha intenção é suprir essa falha agora! Não pretendo de modo algum compilar um tutorial, mas sim um “How to...” muito rápido de como podemos usar de modo prático esse software livre (que pode ser baixado por qualquer pessoa) de grande qualidade!
Buenas, acredito que o primeiro passo é mesmo ajustar nosso ponto de partida para observação. Para tal, devemos, após a instalação do software, setar corretamente nosso lócus observacional, que comumente se mostra mais que um. Esse software que lhes indico no link do final deste post já nos permite uma vantagem: que guardemos várias posições de partida para a compilação de cartas. Isso se mostra muito útil quando temos a possibilidade de irmos para uma residência de interior ou para alguma casa de praia onde temos a oportunidade de fugir da luminosidade parasita... Então, ao abrirmos essa ferramenta, notamos que existe uma barra na margem esquerda de nossa tela. Nela, exibe-se um ícone que o hint diz: “Fixar localização do observatório”. Ao clicar no ícone, devemos informar, nos campos próprios, as coordenadas de onde pretendemos montar a base de observação. No exemplo da figura, passo o local de minha casa, porém, também guardo uma entrada para minha residência de interior e de casa de praia. Para tal, devemos consultar um GPS ou pelo menos o Google Earth, para obter esses dados de geolocalização.




Feito isso, devemos configurar o relógio do software. Esse recurso, além mostrar o que se passa em nossa esfera celeste, nos fornece a Data Juliana correta. Isso vai se mostrar útil mais adiante, quando pretendo sugerir o que se deve ser anotado em nossos blocos de notas. O recurso dessa janela negra que aparece na figura vai estar escondido à direita em sua barra de tarefas, quando falar em hora sideral retomarei esse tópico. Agora nos basta saber que o tempo em uma carta é relativo ao que é observacional em dada latitude local. Assim, mais uma vez voltemos a barra lateral esquerda, tomemos o ícone imediatamente acima do nosso último. Ao clicar nele, se abre uma janela que permite configurar a hora local. Lhes aconselho a habilitar radioButton: “Usar hora do sistema.”, assim ele vai colher a data de sua máquina e fazer os ajustes para cada local cadastrado.



Tendo configurado esses passos já podemos ter uma idéia do que nos espera na esfera celeste! Um dos recursos mais úteis que estará disponível para nós agora é a lista de objetos observacionaveis. Ela está em um ícone na barra superior, e seu hint indica: “Lista de Objetos”; ao seu lado existe um calendário de efemérides, bastante útil para aqueles que objetivam as observações dentro de nosso sistema solar.







O próximo recurso a ser explorado é o que nós plotamos em nossas cartas. Isso vai depender do que nossas lentes são capazes de definir. Para o guerrilheiro espacial, que tem um telescópio de baixo custo, recomendo que não altere a magnificação e que explore os alvos mais viáveis, como aglomerados e planetas. Contudo, se você tiver um aparato óptico mais sofisticado, possuidor de um espelho mais privilegiado, pode lhe ser útil saber como aumentar a magnitude dos astros. Eu uso o menu Carta>Número de Estrelas>Mais Estrelas. Isso também vale para as nebulosas em Carta>Número de Nebulosas>Céu Mais Profundo.




Existe também a possibilidade de se escolher o tipo de projeção de coordenadas que se deseja plotar, por hora mantenha a Azimutal. Contudo, com o tempo pode lhe vir a lhe ser prático usar a equatorial, elíptica ou a Galáctica dependendo de seu nível e aplicação. Esses ajustes também ficam na barra lateral esquerda, como mostra a figura.     





Para atividades de campo, podemos com o auxilio de um Leptop, não prejudicarmos nossa visão noturna. Nessa ferramenta é possível usarmos uma “luz de boate”, como nominávamos esse recurso no tempo de Força Aérea, quando operávamos durante a noite. Fato que a luz vermelha não agride a visão e esse software vem com essa possibilidade. Esse botão está na barra superior, seu hint é “Cor da Visão Noturna”. Ativar-lo possivelmente lhe será útil ao fazer suas observações.




Por fim, também existe a funcionalidade de se determinar o campo de visão. Eu uso em meu computador 90°, contudo é pratico saber como podemos definir 180° para campo e 360° para a confecção de cartas celestes genéricas. Essa funcionalidade fica na barra lateral direita. Trata-se de um painel com várias opções de graus de abertura de visão. Note que após 310° existe um ícone diferente, ele muda automaticamente a projeção para um tipo polar, é esse que usamos para fazer imprimir as cartas de campo.





Esses são apenas alguns dos recursos mais comuns desse software, contudo, ele não se limita a estes. Não posso deixar de fala que outra boa qualidade deste sistema é ser compatível com as bases de dados mais usuais, permitindo assim enriquecer as informações sobre a esfera celeste. Fica o link para baixar esse aplicativo, lembro novamente que ele é gratuito e confiável:
Outra maneira, bem mais autônoma acredito, está descrito em um link onde a Professora Fátima do IF/UFRGS explica como fazer uma carta genérica para observação de campo. Sugiro que sigas os passos deste link para construir sua carta. Uma boa idéia é plastificar as folhas após as colar em papel cartão.
   



quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Mais um Norte...


Lembro-me da frase de meu velho instrutor de navegação: “O mundo seria um lugar bem mais simples se não existissem tantos nortes... ”. Daquele dia em diante por várias vezes em minha vida dei razão ao bom Cmd. Piccoli. Hoje mais uma vez esse período me sobe ao consciente ao planejar como apresentar mais um deles, o Norte Celeste. Isso é fundamental para a orientação em qualquer carta celeste.  Como vocês já devem saber, existem vários “Nortes”! Eu mesmo tenho lhes falado em posts passados de pelo menos dois deles: O Norte magnético, regido pelas linhas de DMG locais(que no fundo esse não têm muita importância para nós...) e o verdadeiro que está preso ao movimento de rotação terreste. Contudo, ainda existe mais sistema de coordenadas um que nos será útil a partir de agora ao usarmos Cartas Celestes. Para tanto o primeiro passo é determinar o Norte Celeste. Basta apontar para a estrela Alpha Ursae Minoris(α UMi), também conhecida por Estrela Polar.
Infelizmente para nós habitantes de relativa latitude do hemisfério sul isso não é tão simples, dado que é impossível de se visualizar tal astro daqui em qualquer época do ano. Entretanto, existe um método de aproximação relativamente confiável. Tal coisa passa por sua habilidade em identificar o Cruzeiro do Sul. Pode primeiramente parecer uma tarefa simples dado que a forma dela é evidentemente análoga a uma cruz, entretanto existe inúmeras possibilidades de se identificar erroneamente outras configurações estrelares em cruz na abóboda celeste. Eu pessoalmente procuro por Epsilon Crucis(ε Cru), que é popularmente conhecida por Intrometida. Acredito que agora essa tarefa fique bem mais simples.    







Feita essa identificação basta prolongar o braço maior desta constelação por quatro vezes e meia. Isso conta cerca de 27° de arco celeste. Esse ponto é imóvel durante o ano, permitindo assim o alinhamento de sua carta celeste sem maiores problemas. Também se é possível determinar o Sul verdadeiro através deste ponto, para tala simplesmente se prolonga uma reta perpendicular ao solo e esse local no espaço.

Agora que você já sabe encontrar o Sul Celeste pode vir a ser útil para localizar outras constelações um método de medir arcos na esfera celeste. Eu uso essa relação:


  • 0,5° = Diâmetro aparente do Sol ou a Lua cheia próxima ao zênite(Devido ao albedo a lua pode ficar enorme quando ela está próxima do horizonte).
  • 1° = Diâmetro de seu dedo mínimo, também é esse o arco de separação de cada uma das estrelas do cinturão de Órion(as Três Marias).
  • 5° = Largura dos dedos anulares até o indicador juntos. 
  • 6° = Comprimento do braço maior do Cruzeiro do Sul.
  • 10° = Largura de um punho cerrado.
  • 15° = Distância entre os dedos mínimo e indicador quando a mão está aberta. Também esse é a distância máxima percorrida pela abóboda celeste durante o intervalo de uma hora.
  • 20° = Largura de seu polegar até o mínimo quando sua mão está aberta.


Ao aplicar tal técnica tenha em mente que todos nos temos pequenas diferenças em nossas proporções anatômicas. Visto isso que devemos “calibrar” a distância que separa nossos olhos de nossa mão para que tal técnica surta um resultado mais próximo da realidade. Eu costumo a fazer aquela medida do dedo mínimo em relação a distância entre cada estrela do cinturão de Órion. Após fixar as duas estrelas entre meu dedo tento memorizar o quanto devo flexionar o braço. Tente fazer isso quando for possível.      
Entretanto não estaria sendo honesto se lhe falasse que tais medidas são realmente precisas! Elas valem muito bem para a astronomia de posição, contudo  quando observamos algo distante através das lentes de um telescópio uma mera aproximação de coordenadas é o suficiente. Para tal esses equipamentos possuem uma luneta menor, que alinhada com o tubo principal formam uma espécie de mecanismo de mira espacial. Volto a tocar no assunto quedo falar em observação através de telescópios.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Rumo ao Oriente!


Até onde eu sei a raiz etimológica da palavra orientação é nasce dessa: O ato de rumar para o oriente... O domínio de tal habilidade permitiu que o homem empreendesse na magnífica rota da seda. Em tal senda, se aproveitou muito mais que a mercadoria comercializada com o
Senhor do Amarelo, nela foi trocada, o ato de trilhar-la, também inforamções e tecnicas. Tal coisa fomentou um dos mais intensos intercâmbios culturais da história antiga. Então, posto isso, já estamos prontos para nos orientar?
Pois bem, para fazermos isso temos que, antes de qualquer coisa, voltar para a quinta série do primário afim de resgatarmos o que apreendemos sobre pontos cardeais. Lembra-se deles? São aqueles que na Rosa dos Ventos são marcados por somente uma letra... Leste, Oeste, Norte e Sul. Pois bem, uma maneira de determinar esses pontos de maneira estimada*(Tenha em mente que de nada adianta você ter em mãos uma carta elaborada com rigor primoroso se tiveres problemas para apontar onde fica o Norte aproximado do local que você está) é através da apliação de um método bem simples que vem me ajudando desde o meu tempo de escoteiro de segunda classe... Consiste em dar uma boa olhada ao redor de onde me encontro. Então determino onde estão os objetos mais distantes que eu enxergo, o encontro desses objetos com a abóboda celeste é chamado de horizonte terrestre(não confunda esse com horizonte observacional, detalho melhor esse quando falar sobre poluição luminosa e luz parasita). Feito isso estimo onde o sol vai se por durante o ocaso. Então abro bem os braços, deixando esses paralelos ao solo. Agora é só girar todo o corpo até que minha mão esquerda aponte para esse lugar. Nesse instante, caso esteja se olhando para frente, o nariz apontará para o Norte, a mão direta para Leste, a mão esquerda para Oeste... E é simples assim mesmo? Sim, isso é bastante simples, contanto que você se lembre de fazer isso durante o dia! Do contrário terá que localizar Sul Celeste, então o buraco fica, literalmente, mais embaixo! Existe um truquezinho para determinar o Sul Celeste através do Cruzeiro do Sul, contudo por hora nos basta essa aproximação ao Norte Verdadeiro.
Outra necessidade para a orientação são as coordenadas geográficas. Como hoje GPS são relativamente mais comuns que Astrolábios, sugiro que consulte um. Caso não tenha acesso a nenhum, procure sua localização no Google Earth...
Lembra-se daquele bloco de anotações que lhe falei alguns posts atrás? Está aí um bom primeiro uso para ele... Anote o local, o Norte estimado, a hora de sua primeira observação e com o auxilio de um lápis segurado na frente de seu rosto, divida a abóboda celeste em dois hemisférios, então desenhe um croqui do que você está vendo no céu. Vamos lá, isso não é tão difícil assim, afinal estrelas são só pontos mesmo! Volte ao mesmo local, na mesma hora uma semana depois repita o procedimento então realize isso novamente passada mais duas semanas. Para fazer esses croquis papel milimetrado pode ajudar bastante. Tente desenhar pontos de referência terrestre, torres de energia, arvores ou picos salientes da topografia local. Observe o quanto as coisas se moveram, e em que proporção. Isso pode parecer um exercício sem sentido a primeira vista, contudo foi exatamente desse modo que Plutão foi descoberto. Tal procedimento, é claro que de modo muito mais refinado, anda é empregado na astronomia científica. Se realmente aceitares esse exercício, estará a um passo de distinguir estrelas de planetas através de um método autônomo.



*Porque “de maneira estimada”? Mesmo que tenhas em mãos uma bússola, essa também estimará o Norte Real, pois ela apontará para o Norte Magnético que é variável com as linhas de DMG. Para utilizar corretamente esse compasso temos que descontar dele essa declividade magnética própria do local. Tal preciosismo seria um exagero dado que por hora nosso foco está na astronomia de posição.